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Saturday, July 30, 2022

Glaciar nos Alpes derrete e altera fronteira entre Suíça e Itália

 





créditos:  Fabrice Coffrini/AFP/Getty Images

via The Guardian


O Glaciar Theodul derreteu nos Alpes e mudou a fronteira entre a Suíça e a Itália, colocando em disputa a localização de uma pousada nas montanhas italianas, segundo notícias.

A fronteira corre ao longo de uma divisão de drenagem – o ponto em que a água derretida escorrerá de ambos os lados da montanha em direcção a um país ou outro.



Glaciar Theodul
Localização nos Alps

Mas o recuo do Glaciar Theodul significa que o divisor de águas se arrastou em direcção à Pousada Guide del Cervino, um refúgio para visitantes perto do Pico Testa Grigia de 3.480 metros.




Pousada Guide del Cervino

https://www.cerviniaicons.com/

Numa recente visita ao restaurante da Pousada, Frederic, um turista de 59 anos, perguntou: “Então – estamos na Suíça?”. 

A resposta deu origem a negociações diplomáticas iniciadas em 2018 e concluídas com um compromisso em 2021. No entanto, os detalhes permanecem em segredo.

Quando o Refúgio Guide del Cervino foi construído num afloramento rochoso em 1984. As suas 40 camas e longas mesas de madeira estavam inteiramente em território italiano. Mas agora, dois terços do alojamento, incluindo a maioria das camas e o restaurante, estão tecnicamente localizados no sul da Suíça.



Rifugio del Cervino

https://en.wikipedia.org/

A questão veio à tona porque a área, que depende do turismo, está localizada no topo de uma das maiores estâncias de ski do mundo, com um grande empreendimento, incluindo uma estação de teleférico que está a ser construída a poucos metros de distância.

Um acordo foi fechado em Florença em Novembro de 2021, mas o resultado só será revelado quando for carimbado pelo governo suíço, o que não acontecerá antes de 2023.

“Nós concordamos em dividir a diferença”, disse Alain Wicht, director de fronteira da Agência Nacional de mapeamento da Suíça, Swisstopo.

Wicht participou das negociações, onde ambas as partes fizeram concessões para encontrar uma solução. “Mesmo que nenhum lado tenha saído vencedor, pelo menos ninguém perdeu”, disse.




créditos: Fabrice COFFRINI/AFP 


Onde a fronteira ítalo-suíça atravessa os glaciares alpinos, a fronteira segue a linha do divisor de águas. Mas o Glaciar Theodul perdeu quase um quarto da sua massa entre 1973 e 2010.

Isso expôs a rocha debaixo do gelo, alterando a divisão de drenagem e obrigando os dois vizinhos a redesenhar um trecho de 100 metros da sua fronteira.

Wicht disse que esses ajustes são frequentes e geralmente resolvidos através da comparação de leituras de agrimensores dos países fronteiriços, sem envolver os políticos.

“Estamos a disputar um território que não vale muito”, disse, acrescentando que este “é o único local onde subitamente tivemos um edifício envolvido”, dando “valor económico” ao terreno.

Jean-Philippe Amstein, ex-presidente da Swisstopo, disse que tais disputas eram normalmente resolvidas pela troca de parcelas de terra de área e valor equivalentes. Neste caso, “a Suíça não está interessada em obter um pedaço de glaciar”, disse, e “os italianos não conseguem compensar a perda de superfície suíça”.

Embora o resultado permaneça em segredo, o responsável do Refúgio guide del cervino, Lucio Trucco, de 51 anos, foi informado de que permanecerá em solo italiano. “O refúgio continua italiano porque sempre fomos italianos”, afirmou. “O cardápio é italiano, o vinho é italiano e os impostos são italianos.”

Por enquanto, nos mapas do Swisstopo, a faixa rosa sólida da fronteira suíça continua a ser uma linha tracejada ao passar pelo refúgio.




Theodul Glacier/ The Alps


A melting glacier in the Alps has shifted the border between Switzerland and Italy, putting the location of an Italian mountain lodge in dispute.

The borderline runs along a drainage divide – the point at which meltwater will run down either side of the mountain towards one country or the other.




View of the pass with Testa Grigia in background from the Theodul hut

But the Theodul Glacier’s retreat means the watershed has crept towards the Rifugio Guide del Cervino, a refuge for visitors near the 3,480-metre (11,417ft) Testa Grigia peak – and it is gradually sweeping underneath the building.

On a recent visit to the refuge’s restaurant, Frederic, a 59-year-old tourist, asked: “So – are we in Switzerland?”




Rifugio Guide del Cervino

https://www.cerviniaicons.com/it/

It was a question worth asking. The answer has been the subject of diplomatic negotiations that started in 2018 and concluded with a compromise last year, but the details remain secret.

When the refuge was built on a rocky outcrop in 1984, its 40 beds and long wooden tables were entirely in Italian territory. But now two-thirds of the lodge, including most of the beds and the restaurant, is technically perched in southern Switzerland.





Cable Car Station
credits: @ZBAC

The issue has come to the fore because the area, which relies on tourism, is located at the top of one of the world’s largest ski resorts, with a major new development including a cable car station being constructed a few metres away.




Les Neiges d'Antan
Breuil-Cervinia
credits: Unknown
via Google Images

Some mid-altitude resorts are preparing for the end of Alpine skiing due to global warming, skiing is possible throughout the summer on the Zermatt-Cervinia slopes, even if such activities contribute to the glacier's retreat.

"That's why we have to enhance the area here, because it will surely be the last one to die"

For now, on Swisstopo's maps, the solid pink band of the Swiss border remains a dashed line as it passes the refuge.


Geração "polar"


30.07-2022

actualizado 27-07-2025




Sources: The Guardian Environment/CBS News/ World

Saturday, July 23, 2016

Gelo do Mont Blanc : compreender o aquecimento global






Mont Blanc
créditos: KoenVI


Jérôme Chappellaz, director de pesquisa no Laboratório de Glaciologia e Geofísica do Meio Ambiente (LLGE) de Grenoble, França explica à AFP que "O gelo é um poço de informação".
A ideia de armazenar amostras de glaciares na Antárctida pode parecer estranha, mas é o objectivo de uma equipe de pesquisadores que, em Agosto, irão extrair gelo do Mont Blanc, ameaçado pelo aquecimento global.
As bolhas de ar e impurezas dos blocos de gelo carregam informações muito importantes sobre as condições atmosféricas verificadas há séculos ou mesmo há milhares de anos atrás.
Foi assim que os investigadores conseguiram estabelecer o vínculo entre as temperaturas e os gases do efeito estufa. 


Mont Blanc
créditos: source AFP
Em Mont Blanc, os investigadores vão poder estudar, em particular, a evolução da poluição ou da actividade industrial a nível europeu ao longo de cem anos. O projecto denomina-se Sauvegarde du patrimoine glaciaire mondial.
Uma dezena de especialistas franceses, italianos e russos vão passar vários dias a 4.300 metros de altitude num maciço dos Alpes franco-italianos para extrair três barras de gelo de 140 metros de comprimento.
Uma das amostras será analisada no laboratório de Grenoble. O objectivo é construir uma base de dados aberta a todos os cientistas. 


Concorde Base Antarctida
credits: Stephen Hudson
As outras duas amostras irão para a base franco-italiana de Concordia, na Antárctida em 2019 e 2020, onde serão conservadas numa cova de neve, "um congelador natural a -50ºC", a salvo de problemas eléctricos. 
O objectivo é preservar durante séculos "a memória do gelo", uma “matéria-prima" extremamente valiosa para os cientistas.
Na primeira metade de 2017 está prevista outra operação similar em Illimani, na Bolívia, a 6.300 metros de altitude, em condições muito mais difíceis. 
Nos próximos dez anos, os investigadores esperam extrair vinte amostras de todos os continentes. 
Daqui por cinquenta anos, "talvez existam as ferramentas necessárias para analisar, mas pode ser que já não tenhamos as amostras de gelo", 
Jerôme Chappellaz
Parte da dificuldade está no tempo de vida dos glaciares naturais, uma vez que estas evoluem e fundem-se rapidamente.
O gelo a menos de 3.500 metros de altitude nos Alpes desaparecerá antes do fim do século XXI. 
Nos Andes, o glaciar de Chacaltaya, na Bolívia, situada a 5.300 metros, desapareceu em 2009.
“Este ano, fundiu-se gelo a 6.000 metros de altitude no Illimani, devido ao fenómeno do El Niño", explica Patrick Ginot, do Instituto Francês de Pesquisa para o Desenvolvimento, e um dos promotores deste projecto.
O aquecimento é uma realidade que não podemos continuar a igonorar. Leia-se o artigo Climat: record à la mi-2016


Mont Blanc/ Dôme
crédits: LGGE

"Dans les prochaines décennies ou même les prochains siècles, ce patrimoine englacé aura une valeur inestimable: pour des trouvailles scientifiques totalement inédites ou pour comprendre les évolutions locales de l’environnement. Je soutiens pleinement ce projet. »


Jean Jouzel, climatologue vice-président de la commission scientifique du GIEC de 2002 à 2015, prix Nobel de la Paix en 2007.





crédits: LGGE


Lundi 15 août, et jusqu’à début septembre, une équipe internationale d’une dizaine de glaciologues et ingénieurs - français, italiens, russe et américains - coordonnée par Patrick Ginot, ingénieur de recherche à l’Institut de recherche pour le développement (IRD) au sein du Laboratoire de glaciologie et géophysique de l’environnement (LGGE) de l’Université Grenoble Alpes et du CNRS et Jérôme Chappellaz, directeur de recherche CNRS dans ce même laboratoire, se rendra au col du Dôme (4 300m, massif du Mont-Blanc) pour prélever les premières « carottes-patrimoine ». 

L’objectif est de constituer la première bibliothèque mondiale d’archives glaciaires issues de glaciers menacés par le réchauffement climatique. A continuer ici.

Le rechauffement climatique est une réalité. A lire l'article Climat: record à la mi-2016

Geração 'explorer' 

23.07.2016

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