O icebergue A23a chegou a ser considerado um dos maiores icebergues alguma vez registados. A sua área, cerca de 3.500 km², ligeiramente maior que a área da zona metropolitana de Lisboa.
Durante cerca de 40 anos, o bloco de gelo manteve-se estável, mas desde 2023 a sua actividade tem levado as autoridades e olhar mais seriamente este gigante. Agora, o icebergue dá sinais críticos.
O icebergue A23a, com dimensões consideráveis, está novamente a captar a atenção da comunidade científica. Imagens recentes de satélite mostram que a água de degelo está a acumular-se à superfície de forma invulgar, criando uma gigantesca piscina natural no topo do icebergue, no Oceano Austral.
Este comportamento é considerado um possível sinal de que o icebergue poderá estar próximo de uma fragmentação acelerada, após décadas de relativa estabilidade.
Uma piscina com centenas de quilómetros quadrados
As imagens revelam uma espécie de rebordo elevado de gelo que circunda quase toda a extremidade do A23a. O resultado é semelhante a uma piscina gigante, com cerca de 800 quilómetros quadrados, como se fosse a área dos concelhos de Sintra e Cascais somados.
créditos: NASA
Imagem de satélite do icebergue A23a no Oceano Antárctico, mostrando a água de degelo à sua superfície
Em várias zonas, a água apresenta um azul intenso, indício de profundidades de vários metros. No total, estima-se que o volume de água acumulada atinja milhares de milhões de litros, o equivalente a milhares de piscinas olímpicas.
Segundo o investigador da Universidade de Chicago, Douglas MacAyeal, diz à New Scientist este efeito é típico dos maiores icebergues. A explicação poderá estar na curvatura das extremidades do gelo, que se inclinam para baixo e funcionam como uma barragem natural, impedindo o escoamento da água.
"A minha teoria é que as extremidades estão dobradas, com o nariz voltado para baixo, criando uma espécie de barragem em arco na superfície superior que mantém a água de degelo no interior”, explica o cientista MacAyeal.
As we can read on the New Scientist, Meltwater on a city‑sized iceberg in the Southern Ocean is rapidly forming a giant pool on its surface – possibly a sign that it is close to breaking apart.
Scientists are captivated by the frozen colossus, known as A23a, because meltwater is collecting and being held on its surface in an unusual way.
Satellite images reveal a raised rim of ice running around the entire cliff edge of the tabular Antarctic iceberg, giving it the appearance of an oversized children’s play pool — except this one spans about 800 square kilometres, an area larger than Chicago.
In places, the ponded water appears a deep, vivid blue, suggesting depths of several metres. Across the whole of A23a, the water volume probably runs into billions of litres – enough to fill thousands of Olympic‑sized swimming pools.
Douglas MacAyeal at the University of Chicago says the rim effect is typical of the world’s largest icebergs.
“My theory is that the edges are bent, nose‑down, creating an arch‑like dam on the top surface that keeps the meltwater inside,” he says. “The bending is probably a combination of cliff-face undercutting by waves and melting, and the natural tendency for ice cliffs to bend over even if they would be perfectly vertical otherwise.” Read more here
O A23a é um icebergue antigo. Destacou-se da plataforma de gelo Filchner-Ronne em 1986 e era então mais de cinco vezes maior do que o seu tamanho actual. Durante algum tempo, deteve o título de maior icebergue do mundo.
Nos últimos anos, porém, derivou para norte, em direcção a águas e ar mais quentes, e encontra-se agora num processo implacável de fragmentação.
Geração 'explorer'
11.01.2026
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